Um momento assinatura
GOLFE
Um momento “assinatura”
Das muitas votações para a eleição da melhor pancada da história do golfe, o chip-in de Tiger Woods no buraco 16 de Augusta, em 2005, está quase sempre à cabeça. Mas vários foram os instantes em que golfistas de diferentes níveis conseguiram desafiar todas as regras e, numa combinação de perícia, controlo de nervos e sorte, operar o milagre. Chamam-lhe signature moment.
JOEL NETO
É o vídeo de golfe mais vezes visto no You Tube – e não consta que um só cibernauta tenha, até hoje, dado por perdidos aqueles dois minutos a assistir ao chip-in do americano Tiger Woods no buraco 16 (par 3) do mítico Augusta National, na Geórgia (EUA), no último dia do Masters de 2005.
Com três pancadas de vantagem sobre Chris Di Marco no momento do arranque para essa última volta, Woods encarava a hipótese de vencer pela primeira vez um torneio do Grand Slam desde 2002, ano a partir do qual aplicou mudanças radicais ao seu swing e entregou a liderança do ranking mundial ao fijiano Vijay Singh. Mas a vantagem começou a empalidecer logo no início do dia – e, ao fim do buraco 15, Di Marco, sólido no ataque ao green e preciso com o seu putting de pega estrambólica, estava já com uma pancada de desvantagem apenas.
Até que, no arranque do 16, o antepenúltimo dos 72 buracos da competição, o momento de todas as decisões impôs-se. O tee shot de Chris Di Marco aterrou tranquilamente no centro do green, rolando para uma área segura a escassos três metros da bandeira e garantindo pelo menos um par, eventualmente um birdie. Pelo contrário, Woods arriscou, atacando o pin para fechar desde logo a disputa, mas a sua bola bateu com demasiado estrondo na relva, saltou em frente sem qualquer spin e foi colocar-se caprichosamente no limite exterior da chamada fringe, mesmo junto ao espesso rough com que Bobby Jones decidiu proteger os greens do extraordinário campo que decidiu deixar-nos como legado. Melhor resulta