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education in film
Teacher Teacher
Teacher Academy
Zero em Comportamento
Direção: Jean Vigo
Título Original: Zéro de Conduite: Jeunes Diables au Collège
País: França
Ano de Lançamento: 1933
Duração: 41’



Considerado um dos filmes que inspirou a Nouvelle Vague na França, em especial o clássico Os incompreendidos, de François Truffaut, Zero de Comportamento (1933), do diretor Jean Vigo, além de brincar em muitos momentos com a linguagem cinematográfica, trata com muita ironia das relações entre os alunos e a escola.
Passado em um colégio interno, no qual os alunos são retratados simpaticamente como portadores da revolta e os “adultos” são constantemente satirizados, a escola é apresentada nesse filme como detentora de um sistema de valores opressivos e ao mesmo tempo ridículos.
Satiriza-se a hierarquia da escola, em grande medida, a partir da patética figura do diretor da escola, representado por uma criança portando uma barba postiça. No entanto, a crítica do filme vai mais longe do que tratar apenas de temas concernentes ao ambiente escolar. Estão presentes aí, nem sempre de maneira velada, questões como a homossexualidade ou a pedofilia.
Além disso, consideramos que Zero de Comportamento pode ser também tomado como uma metáfora da sociedade, na qual os professores e diretores da escola seriam associados às elites e os enfants revoltosos seriam tomados como representação da revolução social que emanaria das camadas oprimidas. Um filme muito interessante que, sem dúvida, merece ser visto.
Entre os Muros da Escola
Direção: Laurent Cantet

Título Original: Entre les murs


País: França


Ano de Lançamento: 2008


Duração: 128'

Ator que interpreta o professor: François Bégaudeau


Entre os Muros da Escola, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 2008, se caracteriza por problematizar de maneira mais eficiente a relação entre o professor e seus alunos no cotidiano escolar.
Nesse filme, François é um jovem professor que leciona francês em uma escola pública de Paris que se depara com inúmeras contradições e conflitos na sala de aula. Aqui a figura do “professor-herói” ou do paladino que logra mudar as estruturas corrompidas pela violência ou carcomidas pelo conservadorismo cai por terra.
Temos em François, a figura de um professor comum, cheio de defeitos, que, ao mesmo tempo, em que procura incentivar seus alunos com movimentos típicos de um “professor-herói”, também toma, em inúmeros momentos, atitudes equivocadas no seu trato com eles – os quais também não podem ser apontados exemplos de “bom comportamento”. No entanto, seus alunos embora o exponham por vezes a situações extremamente constrangedoras, estes também são caracterizados no filme por sua capacidade de surpreender positivamente.
Uma questão que não deve ser desprezada em Entre os Muros da Escola é como as tensões da França atual, em meio ao massivo processo de imigração característico do mundo atual surgem ali representadas. A escola, nesse sentido, também pode ser tomada como local em que as tensões sociais da França podem fortemente se expressar.
Mentes Perigosas
Direção: John N. Smith

Título Original: Dangerous Minds

País: EUA

Ano de Lançamento: 1995

Duração: aprox. 95'

Atriz que interpreta a professora: Michelle Pfeiffer


Vivendo um momento de transição em sua vida, Louanne Johnson – ex-oficial da Marinha americana – busca renovar-se realizando um antigo sonho abortado pelos percalços tomados por sua vida após um casamento fracassado: o de lecionar inglês, e, o ambiente escolhido para isso é a Parkmont High School.
Sem saber – e sem querer saber, aliás – aquilo que a esperava dentro da sala de aula, dada a ansiedade em viver este sonho, Louanne tem uma recepção nada amigável e tampouco motivadora em seu primeiro dia. Nova num ambiente violento e temeroso que é sua turma, a professora extraí da própria realidade vivida por ela e seus alunos a essência daquilo que a fará ser ouvida e entendida, transformando o cotidiano caótico ao seu redor em poesia e usando-a como “código” de comunicação entre professora e classe.
Sua aula e o convívio que passa a ter com seus alunos ultrapassa os limites da sala de aula e invade a vida e as famílias de todos, transformando a realidade, aparentemente cristalizada, de todos na trama – e não somente dela como desejava a princípio – apesar dos obstáculos impostos pela instituição escolar, desinteressada da educação de seus jovens.
Sob a direção de John N. Smith e roteiro de Ronald Bass baseado na obra My Posse don’t do homework, da própria Louanne Johnson, Mentes Perigosas, com a bandeira do “nunca desista” leva sua protagonista ao clássico hall dos heróicos e queridos professores das letras, já bem conhecido.
Escritores da Liberdade
Direção: Richard LaGravenese (de P. S.: Eu te amo)

Título Original: Freedon Writers

País: EUA

Ano de Lançamento: 2007

Duração: 122’

Atriz que interpreta a professora: Hilary Swank


Um dos filmes mais recentes do gênero, Escritores da Liberdade, filme de 2006, dirigido por Richard Lagravenese, passado em 1994, trata da jovem professora Erin Gruwell (Hillary Swank), contratada para lecionar Inglês na Escola Woodrow Wilson, instituição que vive um momento de crise em decorrência da implementação recente do sistema de integração voluntária, processo que uniu num mesmo espaço alunos de mérito escolar indiscutível e outros, desinteressados, de pouca instrução e, na maioria das vezes, delinqüentes e violentos.
Nesse bojo, Erin depara-se com um duplo conflito: de um lado tem de se esforçar para despertar o interesse de seus alunos pelo estudo e ganhar a confiança e autoridade dentro da “sala 203”; de outro, seu intenso idealismo que a inspira choca-se com a intransigência de uma instituição de ensino que não se importa com a educação oferecida aos jovens provenientes do sistema de integração, relegando-os às margens do ensino da escola e tachando-os de culpados pela decadência do nível educacional por que passa a Woodrow Wilson. O ambiente de tensão e a esperança de mudanças dão o tom a esse filme baseado no livro Diário dos Escritores da Liberdade, feito a partir dos diários dos alunos da “sala 203”.
A narrativa feita do ponto de vista dos alunos, autores desses textos, além de ser usada como artifício de aproximação entre ficção e realidade, traz à tona as diversas histórias da vida de cada um e funciona como importante arma de dramaticidade na economia do filme. Para além, o caminho percorrido por Erin Gruwell, de dedicação integral e intensa à docência – o que leva ao fim de seu casamento – aliado ao seu idealismo inerente e a luta travada com o aparelho institucional e contra a realidade social
Sorriso de Monalisa
Direção: Mike Newell (de Harry Potter e o cálice de fogo e Quatro casamentos e um funeral)

Título Original: Mona Lisa Smile

País: EUA

Ano de Lançamento: 2003

Duração: 125’

Atriz que interpreta a professora: Julia Roberts



(em inglês, sem legendas)
O Sorriso de Monalisa, filme de Mike Newell (Harry Potter e o cálice de fogo), de 2003, conta a história de Katherine Watson (Julia Roberts), uma professora de História da Arte da Califórnia que atravessa os EUA em busca de uma vaga no Wellesley College, instituição de ensino para garotas das mais reconhecidas e também mais conservadoras do país.
Movida pelo ímpeto de ascensão e sucesso profissional, sua mudança surge em detrimento da vida pessoal e amorosa. No novo emprego, Katherine encontra uma rígida estrutura educacional e moral que se aproxima da intolerância, rigidez presente no ensino das alunas, no limite, formadas para se tornarem “exemplares esposas”, algo que causa estranheza e indignação à novata professora, que busca, com sua criatividade e vontade de lecionar, a mudança dessa concepção de vida feminina. Sua visão de mundo e atitude perante a estrutura antiquada vigente, tidas como “transgressoras” pelos altos membros da escola criam os conflitos e barreiras impostas pela instituição à professora, tendo em vista a “subversão” que vinha sendo incitada entre as alunas durante as aulas de História da Arte.
Conflito, respeito, desprezo, desconfiança – mas nunca indiferença –  marcam a relação das alunas com Katherine durante a trama, mas, no final, a admiração a ela prevalece. Numa época diferente e com um acentuado tom feminista, o filme de Mike Newell, acima de tudo, exalta o papel transformador do professor-herói, destacando sua entrega e amor ao ensino sem precedentes no espaço da trama e as conseqüências disso as vidas tanto do mestre quanto dos que o cercam.

http://www.imdb.com/name/nm0000210/
Meu Mestre, Minha Vida
Direção: John G. Avildsen (de Rocky e Karatê Kid)

Título Original: Lean on me

Ano de Lançamento: 1989

Duração: 104’

Ator que interpreta o professor: Morgan Freeman


Em Meu mestre, minha vida, filme de 1989, dirigido por John G. Avildsen (de Rocky – Um lutador e Karatê Kid – A hora da verdade), temos a história, baseada em fatos reais, de Joe “Crazy” Clark (Morgan Freeman), professor chamado às pressas para comandar uma das escolas mais violentas do Estado de Nova Jersey. Aqui os conflitos não se dão no ambiente da sala de aula, mas na escola, de uma maneira geral.
Clark é logo de início apresentado pelas autoridades locais como o único que pode salvar a Eastside High School, calcanhar de Aquiles do prefeito local, da reprovação em mais um teste estadual. Para alcançar seus objetivos, Clark toma medidas muito pouco ortodoxas, quase sempre regadas por traços autoritários: expulsa todas as “maçãs podres” da escola, culpa os professores pelo fracasso dos alunos e da instituição e promove uma verdadeira revolução no ambiente escolar.
Na maior parte do tempo é muito simpático com os estudantes e extremamente grosseiro com os demais. Ao fim, Clark alcança seu intento e salva a colégio graças a seus métodos. Curioso notar que há referências pontuais ao longo do filme ao mundo gospel, como quando o personagem de Morgan Freeman fala ao conselho de pais lembrando um pastor evangélico ou, já na reta final, quando a professora de música canta a canção gospel Lean on me (título do filme em inglês).
A última cena do filme, quando Clark sai da prisão e passa em meio aos alunos, tem um certo caráter místico. Clark é construído ao longo da película de modo que seus defeitos pareçam qualidades e, sem dúvida, é representado pelo diretor Advilsen como o homem providencial, ao mesmo tempo, místico e heróico.
Sociedade dos Poetas Mortos
Direção: Peter Weir (de Show de Truman e Mestre dos Mares)

Título Original: Dead Poets Society

Ano de Lançamento: 1989

Duração: 129’

Ator que interpreta o professor: Robin Willians


Clássico do gênero, Sociedade dos Poetas Mortos, filme de 1989, dirigido por Peter Weir (O Show de Truman – O Show da Vida e Mestre dos Mares), apresenta a história dos jovens alunos da Escola Welton, um importante e reconhecido colégio preparatório norte-americano para rapazes, de estrutura rígida e antiquada. Alunos que, repletos de anseios, paixões e talentos reprimidos pelo rigor da disciplina dada por pais e mestres, têm sua rotina transformada com a chegada à escola de Mr. John Keating (Robin Willians), um jovem professor de Inglês visionário e revolucionário em seus métodos, que utiliza a poesia como forma de reflexão sobre a vida, o que faz com que o estranhamento inicial dos alunos torne-se admiração e fonte de inspiração.
Incentivados pela idéia de carpe diem (aproveite o dia), sugerida por Mr. Keating em suas aulas, passam a por em prática seus projetos e vontades, transpondo grandes barreiras e quebrando paradigmas antes impostos pelas famílias ou pelo ambiente escolar. Embora a tragédia ocorrida com um dos alunos em decorrência deste ímpeto de realizações extraordinárias dê o tom do desfecho da história, fica marcada a busca pelo carpe diem proposta por Mr. Keating e a imagem consagrada do “professor-herói” mais uma vez prevalece.
Ao Mestre Com Carinho
Direção: James Clavell

Título Original: To sir, with love

País: Inglaterra

Ano de Lançamento: 1966

Duração: 105’

Ator que interpreta o professor: Sidney Poitier


Talvez o maior clássico entre todos os filmes ambientados em escolas, Ao mestre, com carinho, de 1966, dirigido por James Clavell, tornou-se paradigma do que seria a representação de professores e alunos no cinema. Temos a narrativa da história da Mark Thackeray (Sidney Poitier), um engenheiro desempregado, natural da Guiana Inglesa, que aceita lecionar em uma escola de East End, bairro operário de Londres, enquanto segue à procura algo “melhor”.
Recebido, num primeiro momento, com resistência e desprezo por parte dos alunos, Thackeray vai conquistando aos poucos sua confiança até se tornar um herói e um exemplo para aqueles jovens. A tática utilizada pelo personagem de Sidney Poitier para conquistar sua classe consiste em abandonar os livros e transformar suas aulas em conversas sobre a vida, o trabalho, o casamento, o sexo, etc. Ao mesmo tempo, Thackeray prega a seus alunos, o asseio e a limpeza, mesmo que em meio à rebeldia, e a volta da gentileza na relação entre homens e mulheres.
O filme Ao mestre, com carinho joga, literalmente, os livros no lixo, valorizando, em contrapartida, coisas que sejam “úteis” para a vida daqueles jovens. Reside nesse debate sobre a utilidade das coisas ensinadas e a oposição entre a teoria e a prática, uma questão que permanece atual.
Em outro sentido, Ao Mestre, com carinho, em meio aos movimentados e rebeldes anos 1960, é um elogio ao professor “amigo da ordem” que entende a revolução e a rebeldia, desde que pacífica e limpa. Talvez a frase dita pelo mestre Thackeray em uma de suas aulas resuma, de certo modo, Ao mestre, com carinho: “Se quiserem cabelos compridos, lavem-nos”.