Essa semana notei uma coincidência: hoje a noite estarei em um hotel de Salvador onde passei um Reveillon há exatos 10 anos atrás - ano que foi um marco na minha vida justamente por ter sido o ano em que meu pai morreu.Tomas Eloy Martinez, em uma passagem do livro Santa Evita conta que os monges de sei lá onde (não estou com o livro aqui, infelizmente) acreditam que em nossas vidas há algumas passagens que podem ser chamadas de “dobras”, pois a partir dali a vida da pessoa tem uma guinada violenta (mais ou menos como o meio de uma novela, ou o segundo filme de uma trilogia, sabe?). Well, se com o nascimento prematuro do meu filho aos 6 meses de gestação, onde eu quase morri e passei por poucas e boas eu senti que tava tomando um “se liga” da moçada lá de cima (como quer que vcs “os” chamem, ainda que seja “estatística” - ah, a falta de romantismo dos céticos…), a morte do meu pai, no ano em que completei 30 anos pode muito bem ser definida como a minha “dobra”.Então, talvez a coincidência de eu me encontrar nesse mesmo lugar, exatos 10 anos depois, tão diferente do que eu era, seja para acentuar a diferença entre a Flavia de 1998 e a de 2008 - que certamente está muito mais perto da sua essência que a “outra”, que era o que as pessoas queriam que ela fosse, e não ela mesma.Se não me engano, reza a lenda que na entrada do oráculo de Delfos havia uma frase (hoje atribuída a Píndaro, sobre a qual Nietzsche falou algo bem parecido também) dizendo “torna-te o que és”.Olhando pra trás hoje, vejo que não fiz outra coisa nesses últimos 10 anos a não ser tentar recuperar o tempo perdido, tentando não só entender quem eu sou e o que quero da minha vida (e confesso a vocês que apesar de ser uma tarefa necessária - para não dizer mandatória, imperiosa-, é muito doída), como também alcançar os objetivos de vida finalmente traçados por mim e não pelo meu pai.Não tenho a pretensão de ter me tornado quem eu seja - mas...
Essa semana notei uma coincidência: hoje a noite estarei em um hotel de Salvador onde passei um Reveillon há exatos 10 anos atrás - ano que foi um marco na minha vida justamente por ter sido o ano em que meu pai morreu.
Tomas Eloy Martinez, em uma passagem do livro Santa Evita conta que os monges de sei lá onde (não estou com o livro aqui, infelizmente) acreditam que em nossas vidas há algumas passagens que podem ser chamadas de “dobras”, pois a partir dali a vida da pessoa tem uma guinada violenta (mais ou menos como o meio de uma novela, ou o segundo filme de uma trilogia, sabe?). Well, se com o nascimento prematuro do meu filho aos 6 meses de gestação, onde eu quase morri e passei por poucas e boas eu senti que tava tomando um “se liga” da moçada lá de cima (como quer que vcs “os” chamem, ainda que seja “estatística” - ah, a falta de romantismo dos céticos…), a morte do meu pai, no ano em que completei 30 anos pode muito bem ser definida como a minha “dobra”.
Então, talvez a coincidência de eu me encontrar nesse mesmo lugar, exatos 10 anos depois, tão diferente do que eu era, seja para acentuar a diferença entre a Flavia de 1998 e a de 2008 - que certamente está muito mais perto da sua essência que a “outra”, que era o que as pessoas queriam que ela fosse, e não ela mesma.
Se não me engano, reza a lenda que na entrada do oráculo de Delfos havia uma frase (hoje atribuída a Píndaro, sobre a qual Nietzsche falou algo bem parecido também) dizendo “torna-te o que és”.
Olhando pra trás hoje, vejo que não fiz outra coisa nesses últimos 10 anos a não ser tentar recuperar o tempo perdido, tentando não só entender quem eu sou e o que quero da minha vida (e confesso a vocês que apesar de ser uma tarefa necessária - para não dizer mandatória, imperiosa-, é muito doída), como também alcançar os objetivos de vida finalmente traçados por mim e