Oi, amigo. "Long time no see", dizem estrangeiramente, mas insistimos nessa brasilidade doentia que nos amarra. Por aqui está tudo bem, como eu nunca achei que pudesse assumir. A vida mudou muito desde a última vez em que remetemos nossas doloridas palavras. A rotina mudou um bocado, mas Ariadne ficaria orgulhosa em saber que o fio que nos liga continua intacto. Está tudo tão corrido cá desse lado; imagino que aí esteja assim também. Se a gente deixar a rotina engole a gente, não é mesmo? Os dias estão cada vez mais curtos e sinto que caminhamos em barcos separados no vento de um mesmo mar. Eu vejo você realizando seus sonhos e me sinto orgulhoso, assim, bom motivo, porque a vida tem dessas pequenas recompensas com as pessoas que são geniais. Às vezes eu sinto falta das tardes de domingo despretensiosas em que brindávamos silenciosos toda a nossa paulistaneidade. Mas eu sei também que tudo tem o seu tempo. Tem gente que a vida escolhe botar na nossa trilha e não arranca nunca, gente que faz as noites solitárias de sexta-feira serem muito mais cúmplices - e menos solitárias. No fim do dia são essas poucas pessoas que fazem tudo valer a pena. E pena. Por aqui está tudo bem, amigo, tirando o cansaço. Eu consigo sentir minha juventude secando quando volta a primavera, e imagino que aconteça o mesmo aí com você. A gente já sabia que seria assim, não é verdade? Dividimos os mesmos livros porque dividimos os mesmos sonhos, e porque os sonhos foram sempre escritos lado-a-lado. Falta tempo pra te ouvir e te falar, mas mesmo assim é sereno. Mesmo assim é indispensável saber que existe gente como você, que abrilhanta o mundo com essa sua presença por si só extraordinária. Deve ter uma porção de alegrias pincelando os dias aí do seu calendário. Do lado de cá tem um tanto que dá até medo falar. Mas eu falo. Por enquanto é sexta-feira, é noite, é sereno, e os sonhos que escrevemos estão do nosso lado.
Oi, amigo. "Long time no see", dizem estrangeiramente, mas insistimos nessa brasilidade doentia que nos amarra. Por aqui está tudo bem, como eu nunca achei que pudesse assumir. A vida mudou muito desde a última vez em que remetemos nossas doloridas palavras. A rotina mudou um bocado, mas Ariadne ficaria orgulhosa em saber que o fio que nos liga continua intacto. Está tudo tão corrido cá desse lado; imagino que aí esteja assim também. Se a gente deixar a rotina engole a gente, não é mesmo? Os dias estão cada vez mais curtos e sinto que caminhamos em barcos separados no vento de um mesmo mar. Eu vejo você realizando seus sonhos e me sinto orgulhoso, assim, bom motivo, porque a vida tem dessas pequenas recompensas com as pessoas que são geniais. Às vezes eu sinto falta das tardes de domingo despretensiosas em que brindávamos silenciosos toda a nossa paulistaneidade. Mas eu sei também que tudo tem o seu tempo. Tem gente que a vida escolhe botar na nossa trilha e não arranca nunca, gente que faz as noites solitárias de sexta-feira serem muito mais cúmplices - e menos solitárias. No fim do dia são essas poucas pessoas que fazem tudo valer a pena. E pena. Por aqui está tudo bem, amigo, tirando o cansaço. Eu consigo sentir minha juventude secando quando volta a primavera, e imagino que aconteça o mesmo aí com você. A gente já sabia que seria assim, não é verdade? Dividimos os mesmos livros porque dividimos os mesmos sonhos, e porque os sonhos foram sempre escritos lado-a-lado. Falta tempo pra te ouvir e te falar, mas mesmo assim é sereno. Mesmo assim é indispensável saber que existe gente como você, que abrilhanta o mundo com essa sua presença por si só extraordinária. Deve ter uma porção de alegrias pincelando os dias aí do seu calendário. Do lado de cá tem um tanto que dá até medo falar. Mas eu falo. Por enquanto é sexta-feira, é noite, é sereno, e os sonhos que escrevemos estão do nosso lado.