No auge da minha revolta anarquista de adolescente, descobri o prazer de proteger o meio ambiente. Parei de jogar papelzinho de bala ou qualquer outro lixo na rua, diminuí o consumo de carne vermelha, adotei uma dieta extremamente zen natureba quase que no geral, começei a controlar o uso de água aqui em casa e, enfim, adotei outros zilhões de hábitos sustentáveis, sem contar a mania de assistir documentários da TV Cultura sobre as diversas espécies e sobre desequilíbrios ambientais, além daqueles docs de toerias da conspiração, onde os culpados por todo o mal do mundo eram desvendados. Só não era anarquista mesmo porque, na época, não sabia bem o que era e, ao saber, desisti de ser. A total ausência de leis não me fascina.
Na verdade, acho que era comuna. Só não era mesmo por causa da época e da ingenuidade extrema, se bem que... Eu tinha o espírito perfeito para isso, brigava por política na escola, já enxergava os males da Ditadura Militar e queria me filiar ao Greenpeace. Só não fui porque minha mãe me impediu dizendo que eu não tinha dinheiro e que nem louca eu iria participar daquelas manifestações em frente ao Congresso. "Minha filha presa? Nada disso!", dizia. Então, eu me consolava com aquelas agendas feitas em papel reciclado e a tentar mudar o mundo sem filiação mesmo.
Os tempos passaram e muita coisa virou hábito. O que mudou foi o jeito comuna de ser, reprimi esse meu lado um pouco, desisti de convencer os outros a ser consciente e preocupado com o futuro, com o degelo, o desmatamento, com a água... percebi que me estressava muito e fazia menos, resolvi lutar sozinha. O ideal não morreu, só é guiado por um sonhador solitário.
Recentemente, uma campanha da SOS Mata Atlântica me fez relembrar esses tempos de revolucinária verde. Tempos em que eu abria o site do Click Árvore para ajudar no reflorestamento. A Campanha, denominada Xixi no Banho tem como objetivo reduzir o consumo de água utilizada nas descargas.
add a comment