Havia um Picasso E as conversas fluíam Alheias a qualquer guerra civil Encaixilhada por cima das nossas cabeças. Havia um “Guernica”. E as conversas, misturadas com o tilintar de loiças E o aroma de “cimbalinos”, Subiam de tom. E, mesmo por cima da cabeça de alguns de nós, a guerra clamava em fragmentos, uma mãe suportava ao colo o filho e o seu desespero era indiferente ao riso que nascia de algum dito mais tolo que abafava o trote dos cavalos, o desespero da gente que ali aparecia e reclamava cafeína depois do almoço numa guerra civil entre a vontade de dormir e as obrigações quotidianas. Esqueci o nome do café, os rostos e as vozes que reclamavam Cafeína depois de almoço, Mas lembro-me que o quadro era uma reprodução e por isso não o levávamos a sério.